Cultura francesa, França

“La rentrée” e o calendário escolar francês

O calendário escolar francês é diferente do adotado no Brasil, especialmente em razão das longas férias de verão no Hemisfério Norte. Assim a organização das datas difere bastante da forma a que estamos acostumados.

A rentrée, ou volta às aulas, é um acontecimento para a sociedade francesa. Foto: Devostock

Hoje, 2 de setembro, aconteceu dos eventos mais importantes do calendário escolar francês: la rentrée, ou seja, a volta às aulas, que  coloca em sala de 12 a 13 milhões de alunos, cerca de 18% da população francesa. É um evento que, a exemplo do que ocorre no Brasil, movimenta toda a vida familiar, a economia e a rotina das cidades. 

As datas são um tanto diferentes das praticadas por nós, mas a lógica é praticamente a mesma: após a longa e merecida pausa de verão, que no Hemisfério Norte  acontece entre os meses de junho e setembro, os estudantes iniciam um novo ano escolar, e ao mesmo tempo em que lamentam um pouco o final das férias, estão ansiosos para reencontrar ou conhecer os novos colegas, novos professores, novos ambientes escolares e, especialmente este ano, novas regras para o ensino médio (lycée).

A rentrée é tão importante que foi objeto de uma entrevista coletiva do ministro da educação, sob o tema “Vencer: o ano escolar 2019-220” (Réussir: année scolaire 2019-2020), disponível no site deste mesmo ministério (https://www.education.gouv.fr/cid144348/rentree-2019-une-annee-scolaire-sous-signe-reussite.html) e no youtube:

Entrevista coletiva do ministro da educação, Jean-Michel Blanquer, por ocasião da rentrée

Também por ocasião da rentrée é divulgado um calendário pré-definido de todos os períodos de férias (ou mini-férias),  envolvendo algumas datas festivas importantes que se seguem à retomada das aulas, tendo em vista, principalmente, que não há um período muito longo de pausa para as festas de final de ano.

Com algumas diferenças regionais, o calendário de férias estabelece:

  • Férias relativas ao feriado do Dia de Todos os Santos (Les vacances de La toussaint) –  de 19 de outubro a 4 de novembro
  • Férias de Natal (Les vacances de Noël) – de 21 de dezembro a 6 de janeiro
  • Férias de fevereiro – Estas variam conforme a região do país, podendo ser de de 22 de fevereiro a 9 de março, de 15 de fevereiro a 2 de março ou de 8 a 24 de fevereiro.
  • Férias de primavera – Também variam conforme a região: de 18 de abril a 4 de maio; de 11 a 27 de abril ou de 4 a 20 de abril. 
  • Férias de verão: a partir da data de término das atividades 2019/2020, no dia 4 de abril.

Sistema educacional francês 
Na França o ensino é obrigatório dos três aos 16 anos e é dividido da seguinte forma:

  • Maternal, dos três aos cinco anos de idade
  • Escola primária (ou elementar), dos seis aos dez anos, composta por: curso preparatório (CP); elementar 1 (CE1), elementar 2 (CE2), médio 1 (CM1) e médio 2 (CM2)
  • Collège, dos 11 aos 14 anos, composto por terceira, quarta, quinta e sexta séries

Para concluir este ciclo, que equivale mais ou menos ao nosso ensino fundamental, os estudantes passam pela primeiro grande exame nacional de suas vidas escolares, o brevet des colléges, que avalia o nível de conhecimento adquirido até esta etapa.

  • Lycée, equivalente ao nosso ensino médio, é a etapa cumprida pelos estudantes dos 15 aos 18 anos, compreendendo três séries: primeira, segunda e terminal.

Esta etapa se conclui com a avaliação nacional denominada baccalauréat, ou “bac”, equivalente ao Enem realizado no Brasil. Com o resultado de seu bac, os estudantes podem então pleitear vagas no ensino superior. De acordo com sua pontuação e desempenho, estarão aptos a ingressar em universidades e escolas superiores.

  • Université. A vida universitária é sintetizada pela sigla LMD:

L, de Licence, ou licenciatura, com duração de 3 anos;

M, de Master, ou mestrado, com duração de 2 anos

D, de Doctorat, com duração entre 2 e 3 anos.

A reforma do ensino médio

Este ano entra em vigor a reforma do ensino médio elaborada em 2018 e que altera um pouco a estrutura desse sistema, tornando-a mais modular. Ela passará também a dar mais autonomia aos estudantes para montarem sua grade curricular de acordo com os interesses que eles tenham para a sua formação.  De acordo com ela, as disciplinas serão classificadas como “maiores” ou “menores” (majeures ou mineures), 

Em linhas gerais, deixam de existir as divisões em setores L (littéraire, literário), ES (économique et social , econômico e social) e S (scientifique, científico) social, mas todos os estudantes passam a seguir obrigatoriamente um tronco comum de matérias, composto basicamente por matemática, língua francesa, história, geografia, educação física e esportiva.

A especialização dos alunos passará a acontecer de forma progressiva, a partir do segundo ano, quando eles poderão escolher as disciplinas mais importantes para sua formação optando ainda por assuntos agrupados de forma a responder às demandas da formação atual, tais como  matemática-física-química; matemática-ciências da vida e da terra; ciências da engenharia-física-química; matemática-informática; matemática-ciências econômica se sociais (SES); SES-história e geografia; letras-línguas; letras-artes; letras-filosofia. 

A reforma causou críticas e reações, sobretudo com relação à grande carga horária destinada às especialidades, em detrimento da formação de base. E certamente ao longo deste primeiro ano de implementação renderá muitos debates e discussões acaloradas, bem ao gosto francês.

Para saber mais:

As datas da rentrée e as férias, conforme as regiões:

http://etudiant.aujourdhui.fr/etudiant/info/date-de-vacances.html#dates-vacances-toussaint

As estatísticas da rentrée e sites sobre educação:

https://www.ciep.fr/sites/default/files/atoms/files/focus_decouvrir-systeme-educatif-francais.pdf

Quer aprender francês para saber ainda mais?

http://www.francesmais.com

Publicado por Hellen Souza

Meu nome é Hellen Souza, sou jornalista e francófila, ou seja, adoro a cultura francesa. Aqui você encontrará informações sobre o que acontece atualmente nesse país que já foi berço de transformações sociais.

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